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Após ler a resenha sobre “Morte Alada”  e considerando que o autor do post é um super-mega-ultra-hyper fã do HP Lovecraft, me senti na obrigação de fazer minhas considerações (boas e também ruins) sobre HP e seu estilo literário. Como na expressão popular: bate e depois assopra. Inverterei  a ordem dos fatores, soprarei primeiro e baterei depois. Antes de começar, quero deixar claro que independente da minha opinião, Lovecraft é um ícone da literatura de suspense, e contos “Morte Alada” e nas “Montanhas da Loucura” devem ser de leitura obrigatória (mesmo que a titulo de conhecimento) para o fã de suspense que se preze. Então vamos ao sopro: One Direction

Eu sou Cthulhu.   “Um jovem solitário cuja mãe o vestia de menina quando criança”… “Howard Phillips Lovecraft foi um menino estranho, propenso a desvairados vôos de fantasia e uma predileção pelas trevas e o inexplicável. Oprimido por uma herança profana – um dom de percepção que levou seu pai à loucura”…  “Assombrado por sonhos terríveis, que inspiraram visões, as quais por sua vez inspiraram  contos , contos estes, que talvez, sejam apenas testemunho de uma outra realidade, portanto, cuidado com o que segura agora em suas mãos”. Tcharaaammmm !!!! Esse é o resumo da vida de H.P Lovecraft, encontrado em incontáveis prefácios e posfácios  nos  livros do autor. Howard  faz parte de um categoria de celebridade que (sem intenção) se misturou a sua obra e acabou confundido com ela. É possível encontrar  o Necronomicon (livro fictício criado pelo escritor) sendo vendido na internet (na categoria ocultismo) como verdadeiro ou copia do original. Os mitos de Cthulhu estão inseridos em filmes, livros e  jogos, muitas vezes como pano de fundo para a história principal, ou para dar respaldo a mesma,  sem avisar que se tratam de uma ficção paralela. Em  2009 a editora Devir lançou no Brasil o livro em quadrinhos “Lovecraft”, escrito por Hans Rodionoff e desenhado por Enrique Breccia, nessa “releitura” da vida do escritor, os elementos da vida real de HP e seus personagens são postos no mesmo plano, interagem, se completam e se justificam.  São essas e outras que transformaram Howard Philips Lovecraft em uma lenda urbana no melhor estilo  “Elvis não morreu” e alimentam a lenda, tornando Howard e sua obra (ou sua obra e Howard) um Cult de marca maior. Não era necessário  se fundir a sua criação para figurar entre o panteão de escritores de suspense e terror, sua obra, sozinha, tem esse mérito. Foi HP o primeiro a ventilar a hipótese de que a terra pertencia a uma raça alienígena ou dimensional e que o homem é fruto secundário ou intermediário desses povos, os quais, por mais que o homem evolua, continuaram intocáveis, resistentes a qualquer analise. É o que os especialistas em Lovecraft chamam de Cosmicismo. Inclusive postula PintoPix (autor da resenha Morte Alada), que Eric Von Danikem, malandramente, se inspirou nas histórias do Love pra lançar sua teoria dos  Deus Astronautas (o que, particularmente, acho provável). Não existem lacunas nas historias do Love. Ele apresenta o mistério, mas não o resolve, não fornece o “ mapa da mina”, pelo contrario, ele faz com que o leitor se perca cada vez mais no labirinto de símbolos e mundos insondáveis, deixando claro que a essência do universo está muito alem da nossa capacidade cognitiva, gerando no leitor uma sensação de engasgo, de falta de ar,  aquela sensação que so o desconhecido é capaz de fomentar. Não que a forma como ele escreve traga essa sensação, mas é a idéia inovadora, a filosofia e a possibilidade, somadas a estranha trajetória pessoal do autor.

 Só um tapinha.

       Vou contar pra vocês uma estranha experiência que tive lendo um conto de Lovecraft: já passava das  onze horas da noite e eu estava  na primeira página do conto “Morte Alada”, alguns parágrafos depois percebo uma luz avançando por de trás das cortinas. Olho no relógio: 8:00 da manhã. Como transcorreram nove horas em apenas duas páginas? Um lapso temporal? Feitiço de Cthulhu? Infelizmente ou felizmente, o motivo não é nenhum mistério do além. O que aconteceu foi que peguei no sono enquanto lia o conto, que funcionou pra mim como um excelente sonífero cujos ingredientes são os seguintes:

  • As histórias são quase sempre um monólogo, narradas em primeira pessoa .
  • A escrita segue uma estrutura demasiadamente formal, dá impressão que se  lê um relatório.
  • Falta densidade aos personagens (parece que nasceram e cresceram apenas para viver aquele conto).
  • É chato detalhista ao extremo,  leva duas ou três paginas para descrever um quarto.

Bom… Agora são exatamente meia noite e quinze e o sono não vem. Tem um sonífero conto do Love que eu ainda não li, espero que seja tão bom quanto Morte Alada, pois realmente preciso acordar cedo amanhã. Boa noite.

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