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Dia desses estava eu perambulando pela internet, quando me deparei com a discussão entre um fã de Conan e um fã de Elric de Melniboné. Como já é de praxe no debate virtual, eles começaram discutindo idéias: qual era o melhor personagem; qual  o mais original; quem venceria se os dois se enfrentassem e etc. Oito ou nove postagens  depois já estavam falando da vida sexual da mãe um do outro. Não entendo o que faz esses cidadãos confundirem fã com fanatismo e chegar ao ponto de envolver suas inocentes mamãezinhas em uma discussão tão trivial. Mas voltando ao assunto: o que defendia Elric parecia conhecer bem Conan e sua retórica, mas a recíproca não era verdadeira, o que comprometeu muito a defesa do adepto do Cimério que, se bem me lembro, foi quem começou o ataque pessoal. Concordo que Conan é muitíssimo mais famoso que Elric. O bárbaro tem adaptações e versões pra tudo quanto é tipo de mídia, dos jogos eletrônicos aos filmes de orçamentos vultuosos. Elric, por sua vez, ficou restrito aos livros e algumas poucas adaptações para os Quadrinhos. Já no quesito complexidade e riqueza dos personagens, Elric leva uma larga vantagem sobre Conan: enquanto o príncipe albino cambaleava por reinos hostis, matava sua única amada e se unia a ordas inimigas para destruir o próprio reino (consequentemente surpreendendo os leitores), Conan, pela centésima vez, comia a mocinha do episódio e, ao mesmo tempo,  cortava a cabeça de dois inimigos (sem, é claro, ter ejaculação precoce). O embate idealizado pelos dois internautas se realizou na Espada Selvagem de Conan nº 203, roteiro de  Roy tomas, arte de Barry Smith e Sal Bucema. A sacanagem já começa aí (no desenho): Conan aparece com sua tanguinha, saradão, fazendo as gatinhas do “tempo do onça” babarem. Elric (segundo interpretação desses puxa sacos de Sal e Smith) passou antes  pela dimensão da Branca de Neve e chegou em Koth vestido como um dos sete anões. O resto segue a linha de características dos personagens.

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Quem leu a ESC 203 vai dizer que eu acabei me contradizendo, porque nessa historia Conan não come ninguém, no entanto o narrador deixa bem claro que o  cimério já havia passado a “espada” em Zephra (a donzela da história em comendo comento) e como para Conan figurinha repetida não completa álbum, sua honra de pegador continua intacta e minha crítica válida. Resumindo a história: no fim Elric volta pra sua vidinha mais ou menos e Conan, pra variar, vai encher a cara na taverna mais próxima.

Li quase todas as Espadas Selvagens e também todos os livros de Elric, e fica fácil perceber pelo texto minha inclinação pelas histórias do albino. Conan, resguardada as devidas proporções, é o bon vivant  da era hiboriana, mesmo nas primeiras páginas das histórias do cimério o leitor já sabe que, independente do que aconteça no decorrer da trama, no final, Conan matará o vilão, pegará uma gostosa  e ficará de boa. É um bom passatempo, mas não agrega nada. Você termina de ler a história e pensa: quando crescer quero ser igual a  esse cabra! A trajetória de Elric causa um efeito contrário (principalmente para quem conhece seu grand finale). Ninguém quer ter qualquer tipo de semelhança com a vida do albino, mas enquanto personagem, é aquele que após terminar de ler o conto e fechar o livro, ainda te assombrará  por um bom tempo.

   

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