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Alguém se lembra do filme “Krull” (1983) com Liam Neeson (foi o único ator que sobreviveu a película). Caso não lembrem, se lembrarão menos ainda de Ergo, o magnífico, um mágico que “frequentou a mesma escola de Presto” (Caverna do Dragão) e sempre se apresentava com a imponente frase de efeito: “Pequeno em tamanho, grande em poder. De mente estreita, mas de visão larga”. É com essa relíquia frase que abrirei esse post, listando  meus contos preferidos e utilizando para isso dois critérios:  1º ser foda  antológico; 2º ter menos de 20 páginas. Este é meu índex canônico de suspense e terror, escritos por diversos autores em épocas diferentes. Contos que, embora curtos, são inesquecíveis, memoráveis, pequenos em tamanho, mas grandes em poder.

O Fantasma em Todos os Cômodos

Daniel Dafoe é mais conhecido como criador de Robson Cruzoe . Em O fantasma em Todos os Cômodos,  Dafoe mostra que sabe contar uma boa história de fantasmas. Um detalhe interessante é que ele parecia comungar da mesma ideia sobre o sobrenatural que Arthur Conan Doyle. O referido conto faz parte de uma compilação de histórias que Dafoe afirma serem verdadeiras e , em alguns deles, ele estaria disposto a ir a justiça com testemunhas e provas concretas. Não sei se é verdade, mas fica ai a dica de uma boa leitura, o resto, como diria Jack Palance: acridite se quiser.

Ratos do Cemitério

Ratos de Cemitério é a obra prima de Henry kuttner. O conto  foi adaptado para a TV em Trilogia de Terror II e inspirou a historia Turno no Cemitério  de Stephen King, além de se tornar um ícone de onde derivam várias histórias semelhantes . Em apenas sete páginas, Kuttner narra  o itinerário  do zelador Masson (um homem avarento que, em sua conduta, se assemelha bastante ao ratos que caça), pelos intermináveis subterrâneos da necrópole, local infestado por ratos negros de tamanho descomunal. A descrição de Masson se esgueirando pelos túneis úmidos e apertados e a narrativa densa são de  tirar o fôlego (literalmente). Desaconselhado para claustrófobos.

O fantasma Inexperiente

O  conto é narrado por um terceiro não identificado, supostamente amigo do protagonista, e descreve o encontro de Clayton com um fantasma em início de carreira. A assombração, diante do inabalável Clayton, acaba confessando sua inexperiência e pedindo-lhe ajuda. H. G. Wells nos conduz até um final deliciosamente inesperado, façanha que, como demonstra o conto, só a experiência pode proporcionar.

O Homem do Cortador de Grama

Um sujeito pacato com um gramado um pouco descuidado, Harold contrata uma empresa para dar um trato no jardim e recebe um extra. Não é um conto que se possa falar pouco sem  revelar muito.  A história foi adaptada de forma fiel para a revista em quadrinhos Aventura e Ficção, nº 16. O mérito está no ritmo da narrativa. A intenção de Stephen king é causar mal estar, e nisso ele foi bem sucedido. Se você tem uma imaginação fértil recomento não comer antes de ler esse conto.

Primavera Vermelha / O Homem que Adorava Flores

Aproveito pra emendar mais dois contos de Stephen king: O Homem que Adorava Flores e Primavera Vermelha. O primeiro acompanha as andanças de um jovem apaixonado pelas ruas de Nova York, levando nas mãos um buquê. Quem será a felizarda? O segundo é a retrospectiva de um rapaz, que mescla, em suas memórias,  os tempos de faculdade com estranhos assassinatos no campus onde estudou. Ambos são exemplos da habilidade de Stephen em manipular a narrativa e levar o leitor exatamente onde ele quer, da forma como ele quer, deixando-o indefeso diante do final.

Patente Pendente

História extraído do livro Contos da Taberna, de Arthur C. Clarke. Harry Purvis (nosso ídolo) tomava uma birinight no Gamo Branco, quando revelou para os presentes a fantástica história  de George, as voltas com uma invenção que faria, sem dúvida, muito sucesso. O rapaz se apoderou de um aparelho que podia registrar e gravar sensações, e o melhor: poderia reproduzir tais sensações em outras pessoas, quantas vezes quisesse. A historia de Clarke não é só original, mas também reserva um final surpreendente, com um toque de humor negro.

O Poço e o Pendulo

Nesse conto somos apresentados a um personagem que acaba de acordar na completa escuridão… Totalmente  perdido, e nós leitores, acordamos junto com ele, igualmente perdidos. Acompanhamos juntos o desenrolar da trama, as descobertas, as angústias. Uma  estratégia narrativa semelhante a usada em Ratos do Cemitério, só que de uma forma mais bem trabalhada, que nos faz sentir uma empatia com o protagonista, que da nos nervos. O autor? Edgar Alan Poe.

O Gato Preto

Edgar Alan Poe (sim, ele novamente) parece ter aproveitado bem sua vida de excessos (aproveitado de forma construtiva), pode-se perceber pela profundidade psicológica de seus personagens, coisa rara naquela época. Prova disso é o conto O Gato Preto. A história de um homem que narra seu próprio declínio moral, como e porque cedeu a desejos tão baixos, a plena consciência da ilicitude de seus crimes e sua resignação diante  da justiça poética que lhe foi decretada.

A Mão do Macaco

A história gira em torno de um artefato mágico trazido da índia. A Mão do Macaco concede três pedidos a quem a possuir, porém a forma como eles ganham corpo  fica a critério do estranho senso de humor da força por trás do amuleto (e é aí que o bicho pega). Fica nas entrelinhas as diversas “morais da história”: tudo tem um preço; cuidado com o que você deseja; aquilo que vem fácil, vai fácil. O escritor, W.W. Jacobs, enquanto vivo, gozou de relativa notoriedade, escrevendo contos bem humorados sobre o cotidiano dos homens do mar, mas so é lembrado hoje, graças A Mão do Macaco.

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