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Os vampiros gozaram de uma hegemonia como as criaturas mais populares da ficção durante um bom tempo. Agora eles foram destronados por outro grupo de mortos-vivos que estão vivendo (perdoem-me, trocadilho não intencional…) um momento de popularidade que, acredito, os dentuços nunca viram: os zumbis.

O zumbi em si, que tem suas raízes no folclore Haitiano, já vinha sendo representado na ficção desde o fim da década de 20, no entanto, o zumbi moderno, o popstar, foi “criado” por George Romero em 1968, com o cult-classic Noite dos Mortos-Vivos – escritores como H.G. Wells e H.P. Lovecraft trabalharam com noção similar, mas ainda diferente, do hoje popular zumbi.

A partir daí, veio-se uma febre, como a que se segue após a mordida de um zumbi, lenta, mas arrasadora. Dos anos 2000 para cá, a febre venceu e sucumbimos a esses seres fétidos e putrefatos. Os zumbis estão por toda parte.

A quantidade de filmes, video-games e livros (até Jane Austen inspirou tais criaturas) foi e ainda é enorme. Os zumbis se revelaram um excelente veículo de linguagem, onde poderia-se inserir um sem número de metáforas e alegorias. Ao contrário do vampiro, que mesmo apesar de muitos esforços para tentar atualizá-lo – com alguns sucessos -, tem uma imagem fortemente romantizada e datada, o zumbi é mais maleável; ele pode ser eu ou você ontem, hoje ou amanhã, em qualquer lugar.

Um dos melhores exemplos disso é a HQ Walking Dead (Os Mortos-Vivos no Brasil). Criada por Robert Kirkman, Tony Moore e Charles Adlard, desta vez a trama se concentra nos personagens e nos efeitos que tal cataclisma viria a gerar sobre eles e o resto da humanidade.

Eu já havia ouvido falar da série, mas nunca tinha tido o interesse em lê-la (achava ser só mais uma história de zumbis). Isso até ler um preview do encadernado número 8 que me chamou a atenção pra série.

O artigo indagava pra onde o autor iria levar a história a partir dali, quais eram seus planos, afinal, ele havia matado quase todos os personagens principais da série!!! Pô, isso é raro em qualquer HQ, ver o autor eliminando personagens com os quais os leitores vinham se afeiçoando há meses. Muito colhão. A ironia aqui é  que, em comparação com as mortes/ressurreições recorrentes aos Universos Marvel e DC, algo do tipo em WD seria algo perfeitamente normal.

Assim, pensei com meus botões: Hmmm… vou ler essa bagaça e ver de qual é.

Na época, morava nos Estados Unidos e a comodidade quanto a isso era o fato de tu não depender de nada ou ninguém e só ter que sair de casa, ir à uma livraria e comprar teu exemplar. Levei o encadernado número 1 pra casa e li numa sentada.

Com desenhos em preto e branco, que ajudam a passar uma sensação de angústia, esta plenamente vivida pelos personagens da série, os autores não se apressam com a história e o clima e os eventos vão sendo montados peça por peça.

Kirkman cria os pilares de sua trama em torno de seus personagens, e são eles próprios que avançam a história, mesmo estando sem total controle da situação. E fiquei um pouco chateado por saber de ante-mão que muitos daqueles personagens iriam pra cova, tanto pelo fato do vínculo que criei com os personagens, quanto pela surpresa estragada. Não completamente, afinal, nao sabia quais eram os eleitos.

Eu terminei a primeira edição, mas resolvi não seguir adiante naquele momento. Nada errado com a história. Pelo contrário. Como Walking Dead ainda estava em andamento (e ainda está), resolvi me dedicar a outra grande leitura a qual, naquela época, havia acabado de ser encerrada: Y: the Last Man (falarei dessa gloriosa série em um futuro post).

O tempo passou e me meti com outras leituras, até o ano passado, no dia do meu aniversário, quando numa livraria, me deparei com a edição Compendium da obra. Uma verdadeira lista telefônica. Como disse a caixa da livraria, dava pra eu malhar com aquilo. Estava com a minha esposa e, aproveitando a data, a convenci a comprar a edição para mim – hehehe. Não pude resistir a mais de mil páginas daquela série que, mais uma vez, li em uma sentada. E por coincidência, ou não, a edição compilava as publicações até o fatídico encadernado número 8, no qual finalmente me foi revelado o triste fim de certos personagens. Mas a jornada valeu, e Walking Dead é uma das melhores HQ’s que já li (no aguardo do Compendio 2).

Kirkman foi além em tudo aquilo que já havia plantado na primeira edição e fez da série um verdadeiro laboratório da psique humana, até onde podemos ir quando jogados em situações extremas e se, uma vez lá, podemos ou não voltar. E você, leitor, nem vai se importar quanto ao fato de, até o momento, não haver um pingo de evidência a respeito do que deflagrou aquele pandemônio. E pessoalmente, isso dá um toque bem realista a trama que, ao invés de se concentrar num porque, o que realmente interessa é sobreviver.

Mas como eu disse, eu terminei de ler Walking Dead há mais de um ano. Então, o que diabos me motivou a publicar esse post agora?

A resposta está na TV. Numa acertada decisão de levar a série para a TV ao invés dos Cinemas, Walking Dead tornou-se, merecidamente, uma das séries de TV de maior sucesso do momento. E assim como a HQ, bati a primeira temporada da série numa sentada, regada a muita pipoca e cerveja.

Frank Darabont, o discípulo de Stephen King, faz um trabalho excepcional adaptando a série para TV sendo extremamente fiel, ao mesmo tempo em que é capaz de dar, aos que já conhecem a HQ, algo novo.

Novos personagens, novos elementos inseridos à trama e todo aquele clima de fim do mundo sobre as costas dos infelizes sobreviventes (é, isso mesmo).

2012 está aí, e caso o fim do mundo chegue, tanto a HQ quanto o seriado servirá de excelente manual de como encarar (ou não) a situação.

Resenha do segundo volume do Compendium.

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