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A Montanha Sagrada (The Holy Mountain -1973)

Se você só quer aprender como fazer ouro a partir de excremento e suor, este é o filme certo.

Não, é sério. Isso é exatamente o que A Montanha Sagrada é. Um filme repleto de simbolismos e metáforas; como é dito no filme “Eu estou apenas tentando lhe dizer mais do que você pode ver”.

O filme, escrito e dirigido por Alejandro Jodorowsky (que também atua no papel do Alquimista), é cheio de momentos inspirados, que algumas pessoas podem não gostar, mas que, ainda assim, podem acabar gostando como parte do todo. Com essas inspirações possivelmente advindas de várias viagens muito loucas de ácido (honestamente não vejo outra fonte pra tanta doideira em filme só – Alan Moore iria me entender), Jodorowsky condensa todas elas em uma trama que critica religião, capitalismo, guerra e até arte (eu, pessoalmente, achei esse último segmento insólitamente verdadeiro… e engraçado).

O filme começa sem-pé-nem-cabeça, com seus primeiros 20-30 minutos de, aparentemente, total nonsense. Mas, com o avanço da película, começa-se a perceber que, ao lado de todo aquele emaranhado de mensagens, aquela abertura começa a funcionar de uma forma que lhe prepara para a real natureza do filme.

Com um final surpreendente, que tira um pouco da originalidade da resolução de Monthy Python e o Cálice Sagrado, A Montanha Sagrada dá o golpe de misericórdia no espectador (que provavelmente estará em dores por boa parte da projeção), dando uma lógica para todo seu surrealismo ao mesmo tempo em que nos faz refletir sobre a forma que conduzimos nossas vidas.

PS: Eu ouso dizer que, a trilha incidental que acompanha a cena da história em quadrinhos, deve ter funcionado de inspiração para John Williams compor o tema de Superman – O Filme. Estranhamente similar. Se a curiosidade bateu, este vídeo contem o filme inteiro, e você pode saltar para 0:58:28s. Aproveite e assista o filme inteiro. As legendas estão em espanhol.

PS 2: Jodorowsky também escreveu Graphic Novels, entre elas The Incal, com ilustrações do recém-falecido Moebius.

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Alphaville (Alphaville – Une Étrange Aventure de Lemmy Caution – 1965)

Bem, no caso de Alphaville, eu apenas encontrei anotações que fiz sobre o filme. Eu vinha ficando frustrado com Netflix, porque o site lhe perimitia uso limitado de caracteres e, na maioria das vezes, eu estourava esse limite, tendo que podar muito do que ia escrever. Felizmente, aqui, não sofro de tais restrições.

Interssante notar que Alphaville, filme de Jean-Luc Godard, compartilha o mesmo conceito que falei a respeito no post anterior, na resenha de Crepúsculo de Aço.
O personagem principal, Lemmy Caution (é cada nome…) é um personagem dos pulps, um detetive criado por Peter Cheyney na década de 30. Em Alphaville ele é um agente secreto enfiado num cenário de ficção científica retrô (na verdade uma saída, parte das sacadas do filmes da Nouvelle Vague, muitos feitos com pouco orçamento).

Na história, Caution (Eddie Constantine) tem uma missão de dar inveja no 007. Capturar o cientista que criou Alphaville, destruir o computador Alpha 60 que controla o lugar e a própria Alphaville no pacote. Alpha 60, por acaso, arrisco a dizer que possa ter um dedo na elaboração de HAL 9000, de 2001 – Uma Odisséia no Espaço. É um computador antagonista, com controle do lugar que abriga os protagonistas. Até a própria voz do computador pode ter servido até como antítese. Enquanto HAL tem uma voz suave e calma, Alpha 60 tem uma voz de botar medo.

Alphaville é um estado Tecnocrata, e no “melhor” estilo 1984, tudo mundo ali vive sem total liberdade, e Alpha 60 conduz um verdadeiro genocídio no lugar para mantê-lo sob controle. É por isso que nosso anti-herói entra em ação.

Eu, particularmente, achei o filme bem viajante (no lado bom) e cheio da ótimas sacadas (é o único exemplar da Nouvelle Vague que já assisti, e que me despertou o interesse de conferir Os Incompreendidos e Acossado). A destruição de Alpha 60 por Caution, como acontece, não encaixaria de forma alguma se o filme fosse realizado de forma convencional.

Também notei várias semelhanças entre Alphaville e Blade Runner (este de fato faz referência a Alphaville). Do tecnoir, com suas luzes de neon, uma ficção científica com ar retrô, a detalhes como o fato do protagonista se envolver com uma mulher que faz parte do sistema que combate e ambos no final dirigirem, em um veículo, sem rumo ao final da história.

Alphaville é um filme antigo, preto e branco e inconvencional, detalhes que podem afastar muitos curiosos, mas os reais apreciadores de ficção científica jamais poderão deixar de conferí-lo.

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Bônus!! (só lembrando que essa resenha não tem nada a ver com o Blog, mas não queria deixá-la de fora)

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Ninja – A Máquina Assassina (Enter the Ninja – 1981)

Ninja – A Máquina Assassina é um clássico do subgênero e o projeto seminal dos ninjas no Cinema americano. Tem de tudo: as coreografias de lutas toscas, direção estilo Ed Wood, diálogos cômicos cheio de frases de efeitos, ninjas coloridos, má edição e outras preciosidades do cânone.

Isso não quer dizer que o filme não entretem. Ao contrário, eu ri as pampas! Para assistir a um filme como esse, você precisa estar espiritualmente preparado para ele. É como assistir Aconteceu Naquela Noite, com Clark Gable. Se você não entende que o filme foi produzido há mais de 70 anos, com certeza dirá que já viu essa história milhares de vezes em outros filmes anteriormente. Mesma coisa com Plano 9 do Espaço Sideral, com Bela Lugosi. Mas neste caso, precisa-se entender quem fez o filme. Com isso em mente, é diversão garantida junto com a galera.

Em Ninja, a história começa com um ninja bigodudo chamado Cole formando em um curso de verão para ninjas no Japão. Ok, eles não dizem que é um curso de verão, mas pô, o que mais poderia ser?! Prefiro a ideia por trás de O Mestre, com Lee Van Cleef ou American Ninja, com Michael Dudikoff, para um ninja ocidental treinado nas artes ocultas do ninjutsu. Enfim… a comédia de Ninja já começa aí…

Assim, Cole viaja para encontrar um amigo, e sua esposa negligenciada, com problemas. O resto já dá pra imaginar: Cole vai chutar um monte de parreco e pronto. Foi o que realmente pensei. Mas na verdade, Ninja tem toda essa pancadaria enxertada com um elenco secundário bastente interessante, fazendo do filme uma experiência agradável. Do bandido com um gancho na mão chamado Siegfried, passando por Parker, o metódico assistente do vilão principal, ao próprio nêmesis da história, o flamboyant Venárius (que nome…), a película mostra esse lado positivo, tomando uma abordagem diferente que esses filmes geralmente tomam.

Christopher George a propósito, que interpreta Venárius, nos presenteia nesse filme com uma das cenas de morte mais engraçadas da história do Cinema. Alex Courtney também faz uma interessante interpretação de seu incomum personagem, Frank. Sem esquecer Shô Kosugi, que viraria um astro B a partir dali, visto mais recentemente em Ninja Assassin, produzido pelos Wachowski e Frank Nero com seu bigodão se pronunciando sob a máscara.

A trilha sonora de Ninja também tem seus momentos de experimentalismo, mostrando alguma personalidade, como no terceiro ato do filme, quando Cole invade a torre de Venárius, mas que infelizmente, não bate com a forma que a cena foi dirigida.

Ninja – Máquina Assassina, estabelece várias idéias e pontos de referências para a onda de filmes de ninjas que viria a seguir nos anos 80. A maioria das pessoas podem achá-lo ruim, mas isso apenas se olhar sobre a máscara.

PS: Alguém já viu um filme com um ninja de uniforme branco com bolinhas coloridas?! Nhééé, tô brincando não, é sério… Venho procurando essa pérola há anos. Vi na Band uma vez eras atrás.

Algumas canções que me acompanharam durante esse post:

Concrete Blonde – Tomorrow Wendy
Kraftwerk – Radioactivity
Rush – The Necromancer

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