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Este post não é exatamente um review do filme em si, porque a essa altura, muitos já fizeram isso e, honestamente, não quero ser redundante, para bem ou para mal.

O que vem sendo muito interessante notar nos websites, são os comentários da galera, cada um com sua teoria a respeito do filme. Isso por si só, já pode ser considerado um grande feito do filme, independente das pessoas gostarem ou não dele.

Sabe-se que Ridley Scott já andou espalhando que Prometheus não é um prelúdio para Alien – O Oitavo Passageiro e a maioria, aparentemente, entendeu isso a risca. Prometheus é um prelúdio para o Universo Alien, mas não um prelúdio direto para o primeiro filme da franquia.

Ou seja, faz parte do mesmo universo mas as ações ali não ligam diretamente ao primeiro filme. Como o roteirista Damon Lindelof constatou, a sequência de Prometheus não seria Alien – O Oitavo Passageiro, mas um possível Prometheus 2 (ou outro nome que seja). Se não viu o filme ainda, pare por aqui, porque só vai dar spoilers agora. Mas se tu não tá nem aí com spoilers (como eu as vezes), fique a vontade pra prosseguir.

Já pra ficar claro, os eventos de Prometheus ocorrem em uma lua denominada LV-223, enquanto em Alien, a criatura é encontrada no planetóide LV-426. Isso já brocha qualquer expectativa de presenciar no filme a armação pro cenário visto no filme de 1979, embora Scott brinque com isso no filme.

Enquanto muitos viajam com teorias sobre sexismo e a origem da vida, acho que o ponto mais interessante da trama são as intenções dos nossos criadores naquele universo. Afinal, é essa a real do filme. É isso que move Elizabeth Shaw, e que fica mais óbvio no final dele.

Quem criou quem, o que veio primeiro, o ovo ou a galinha, é algo inerente aquele contexto, não tem como abordá-los separadamente.

Honestamente, o propósito desses Engenheiros, eu não sei. E acredito que essa seja a intenção dos roteiristas, principalmente se buscarem uma sequência. Essas respostas, se encontradas, serão por Elizabeth Shaw.

O que cabe, a nós, é brincar com o que temos a disposição, a partir do filme. O filme abre com um dos Engenheiros se “sacrificando”, ao tomar um líquido viscoso (aquele mesmo, acredito, visto nos cilindros na lua LV-223), onde ele se desintegra e da origem a vida na Terra. No meu entender, ele dá origem a toda vida na Terra, toda sem exceções. É como estudamos, de que a vida na Terra se iniciou nos oceanos, então, não foi por acaso que ele caiu na água.

Em seguida, são encontradas pinturas rupestres em vários lugares distintos com o mesmo mapa estelar. Li em muitos lugares dizendo que o mapa foi “deixado” e que os Engenheiros pretendiam serem encontrados. Se isso é até insinuado no filme, me perdi na tradução, mas pra mim aqui, o que acontece, é um lance meio Assassins Creed: memória genética. Pense que não estavam nos planos desses “deuses” que suas crias evoluíssem a um ponto de racionalidade. E aí adicione a possibilidade de que essa memória fosse se diluindo de geração por geração, de alguma forma, em alguns menos, em outros mais. E aí tu dá um salto no tempo e vê os seres humanos praticamente pau-a-pau com tais seres. Alta tecnologia, conquista do espaço. Nem falta criarem vida, afinal, David (Fessbender em mais um prelúdio), o robô completa a lista.

Aqui, a trama encaixa no título do filme, a espaçonave Prometheus. O titã, que criou a humanidade do barro e roubou o fogo e o deu para os mortais, sendo assim punido. E foi essa a gota d’água para os Engenheiros, que descobrimos mais tarde na trama, que estavam vindo nos destruir. Para mim, a parte que mais suporta essa ideia é a de quando David se dirige ao Engenheiro em sua própria língua. Uma afronta aos deuses! Era a prova de que eles não estavam mais no topo da cadeia. O sujeito despiroca e arranca a cabeça do androide fora.

Aí sobram as intenções desses seres e o líquido escuro e viscoso, uma espécie de mutágeno, entre as perguntas sem respostas. No final, ainda temos aquela criatura que sai do peito do Engenheiro, que é a criatura que mais se assemelha ao alien da série (sem contar que a criatura que mata o Engenheiro no final, o “filho” de Elizabeth, é, aparentemente, uma versão tamanho família dos facehuggers da série) e, obviamente, não apareceu ali de graça. Fora David, que ainda não entendi o por quê de ter dado a bebida contaminada a Charlie.

Também vale ressaltar que outro grande mérito desse filme é praticamente descartar a franquia Aliens vs. Predadores de seu cânone (se é que fazia parte, oficialmente). Sendo assim, mesmo gostando de Guy Pierce, seria interessante se tivessem colocado Lance Henriksen como Peter Wayland.

Prometheus é uma experiência interessante. É um filme que entretém e faz pensar, e por mais que não seja um primor, esses dois atributos o torna, nos dias de hoje, uma preciosidade.

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