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Essa é a primeira parte de uma série de 3 posts, onde citarei cinco, de quinze momentos e frases do Cinema, Quadrinhos e Literatura de suspense, ficção cientifica e fantasia. São ideias inovadoras ou grandes sacadas, aquela parte que abre um parênteses na trama e faz o leitor/telespectador parar pra pensar.

V de Vingança (discutindo a relação)

É a discussão de relacionamento metafórico  entre o terrorista V e a estátua Themis (que representa a justiça). V argumenta e simula a resposta da estátua, usando todos os elementos de um relacionamento homem/mulher para falar de politica e ideologia. O terrorista confessa ter traído a justiça com a anarquia, mas revela que o fez por saber que a justiça o traíra antes com o Regime. Ele chama a escultura de Jezebel, em referência a princesa bíblica, que foi infiel ao seu marido pela fé e não pela carne. A conversa com Madame Justiça antecede ao ataque final a Londres. V vira as costas a seu amor platônico e vai ao encontro de sua amante, deixando uma caixa em forma de coração cheia de explosivos aos pés da Themis. O autor dentro do diálogo, faz constantes trocadilhos simbólicos; ai vai meu preferido:

V olha para o rosto da estátua (que originalmente possui uma venda e simboliza a imparcialidade da justiça) e diz: “Agora sei, porque nunca olhou em meus olhos”.

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Blade Runner (Lágrimas na chuva) 

Existe uma gama de interpretações viajantes para este momento, no melhor estilo “pedras no caminho”. Olhando apenas o que a cena oferece, poderia  dizer que “Lágrimas na Chuva” é o desabafo, as últimas palavras de um androide que alcançou o “nirvana” à beira do fim.Quando todos esperavam que Roy Batty iria tocar o terror e trucidar  Deckard, ele surpreende, salvando seu perseguidor. Nessa cena, no mínimo inusitada, Roy abre seu coração enquanto a chuva cai, e faz a curta e memorável analogia a seguir:

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Watchmen  (Ronald Reagan e Veidt)

Watchmen, assim como V de Vingança e Matrix, está cheio de boas sacadas, fica até difícil escolher um momento em especial. Então como os trilhos por onde a trama corre é pura conspiração e coincidências, achei uma ponte entre Veidt e Ronald Reagan, entre a realidade alternativa de Watchmen e a vida real, ligados pelo brilhante plano de Adrian. Calma… não vou lançar nenhuma teoria conspiratoria mirabolante, é só uma coincidência que encontrei, se é que isso existe.

O plano de Veidt, segundo ele mesmo:

“Para amedrontar governos para criar uma coalisão, eu iria convencê-los que a Terra estaria na iminência de um ataque por seres de outro planeta.”

Na realidade alternativa de Watchmen, um ator com as iniciais R.R se candidata a presidência dos EUA, só no final é que descobrimos que R.R é Robert Redford.

No final do revista o Editor tem a seguinte conversa com Seymor:

Seymor :

“Robert Redford disse que ira concorrer a presidência em ’88. A gente podia por isso…”

O editor chefe  interrompe:

“Seymor, nós não damos atenção a absurdos nesse periódico. Isto ainda é América, Meu Deus! Quem quer um cowboy ator na Casa Branca?”

Ronald Reagan (R.R), ator cowboy, eleito para dois mandatos (81 a 89) um ano após o lançamento de Watchmen, numa conferência na ONU,  cita o plano de Veidt, alegando que seria a única forma de fazer os povos da Terra se unirem. Acompanhem no vídeo abaixo:

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Veidt, o autor intelectual do plano apocalíptico, foi visualmente inspirado no ator Robert Redfort (R.R), candidato à presidência no final da HQ. Um ano depos R.R (Ronald Reagan) presidente dos Estados Unidos, cita o plano de Veidt numa reunião da ONU.

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Matrix (Vocês são uma doença, nós somos a cura.)

Qual o papel da humanidade na história natural do planeta? Essa pergunta é o pano de fundo para o monólogo de Smith, quando reclassifica a humanidade pelo critério da interdependência biológica numa época (o filme foi lançado em 1999) em que se começava a falar em sustentabilidade, responsabilidade ecológica e efeito estufa, ou seja, o planeta como sistema coeso estava na moda. Smith trabalha bem a retórica, analisando o homem  como parte de um gigantesco organismo vivo, tirando dai uma comparação inteligente, que sustenta sua conclusão final e nos leva, pelo menos em parte, a concordar com ele:

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Matrix é um caldeirão de símbolos e filosofias, a conclusão de Smith acerca da natureza humana fez jus aos bons dialogos e sacadas da trilogia, porém, depois dessa brilhante divagação intelectual, esperava-se que ele encerrasse parafraseando um grande pensador, mas não, ele arremata o discurso com a pala: “Vocês são a doença, Nós somos a cura”. Frase do personagem Cobra, interpretado por Silvester Stalone, no antológico Stallone Cobra. Na minha opinião ponto pra Matrix, pois, sem preconceito, fez uma merecida homenagem a um clássico dos anos 80. Poderia se dizer que Stalone Cobra não se encaixa no perfil do blog (sci-fi, fantasia, horror), mas quem assistiu o filme se lembra que no final, e após uma noite de sexo selvagem(no melhor estilo esquadrão zumbi) com Ingrid (Brigitte Nielsen, ex-esposa do Silvester) Cobra, ao raiar do sol e sem tomar café, mata, sozinho, mais de trinta bandidos armados até os dentes. Isso me faz viajar pensar: quem sabe Cobra não viva na matrix e tenha de algum modo descoberto como quebrar os códigos de funcionamento do programa, só isso mesmo para explicar a performance escalofebetica do personagem. Diante dessa teoria(na verdade é uma desculpa pra encaixar Stallone Cobra aqui) e como este post é sobre frases de efeito, aproveitei e deixei essa “perola” inspiradora (Smith que o diga) no vídeo abaixo. Observem a interpretação e eloquência do personagem nesse trecho que é uma verdadeira saraivada de palas:

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H G Wells na Maquina do Tempo

Buscando respostas para a fracassada tentativa de mudar o passado, e assim, salvar a vida de sua noiva, Alexander Hartdegen (Guy Pearce) viaja, acidentalmente, a um futuro distante, onde encontra três raças distintas vivendo em um sistema de castas¹. O debate entre  Alexander e Morlock² (um dos líderes da casta superior) é, assim como ambos os personagens, uma exclusividade do filme de 2002 e nos entrega um dos melhores diálogos da ficção científica de todos os tempos.  A discussão, que dura pouco mais de sete minutos, aborda assuntos que vão da evolução à questões funcionais e existencialistas.  A resposta que o viajante do tempo  buscava, vem na forma de uma variante da teoria do paradoxo do avô, quando Morlock aplica tal principio ao caso particular de Alexander e acrescenta sua própria situação ao ciclo de causa e consequência:

“Construiu sua máquina do tempo por causa da morte de Emma. Se ela tivesse vivido a máquina não existiria. Então como pode usar a máquina para voltar e salvá-la? Você é o resultado inevitável de sua tragédia. Assim como eu… sou o resultado inevitável… de você³.”

E encerra a conversa , lançando a pala mestra:

” Todos nós temos nossa própria máquina do tempo, não é?! Quando queremos voltar ao passado, nossas lembranças. Quando queremos ir ao futuro… nossos sonhos.”

Na integra:

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¹ No original de H G Wells os Elois e os Morlocks representam a luta de classes da ideologia Marxista, O próprio Wells era uma simpatizante do comunismo.

²Os Morlocks, tanto no livro de 1895 quanto no filme de 1960 se refere a uma raça e não a um individuo, essa ideia ficou confusa na versão de 2002, onde os Elois citam o nome apenas uma vez e no singular.

³A lua foi colonizada por uma empresa privada, aparentemente, sem planejamento. Tudo indica que o satélite era oco, não aguentando o ritmo das construções, acabou se despedaçando e caindo na Terra, desencadeando um cataclismo nunca visto. A civilização que o viajante do tempo encontra 800.000 anos depois é fruto desse malfadado empreendimento científico.  “Resultado inevitável de você” é uma metáfora, Morlock toma Alexander como a personificação da ciência expansionista e irresponsável que o criou.

A “máquina” humana do tempo, como descrita no diálogo, é uma faceta da própria ficção científica, Júlio Verne a usou, quando em 1865 previu a viagem do homem a lua com um século de antecedência; ironicamente HG Wells, na obra de 1895, de qual deriva este filme, precedeu Einstein em 10 anos , quando propôs que o tempo era a quarta dimensão. Eu a usei para escrever este post, acessando lembranças remotas de quando ainda era criança. Você a usa com frequência para recordar momentos e pessoas.

 Espero vocês em um “futuro” post.

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