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As origens do significado mau agourento de uma sexta-feira 13 são um tanto quanto nebulosas. Sabe-se que, pela numerologia, o número 13 é de má sorte (exceto para Zagallo) e a sexta-feira, além de ser o dia em que Cristo foi crucificado, também é tido como mau agouro em várias culturas através da História. Em culturas com a espanhola, terça-feira 13 é o dia de má sorte, enquanto na Itália, para citar outro, seria quando a sexta-feira caísse num dia 17.

É óbvio que a Sexta-feira 13 se destaca entre os outros dias de agouro e até mesmo se tornou popular, devido as mortes de vários jovens no Camping Crystal Lake, por uma senhora psicopata em 1980, que daria início a uma série de matanças pelo querido filho dela, Jason, primo distante de John Mclaine. É por razão similar que a festa de Halloween é celebrada em vários países ao redor do globo, mesmo não tendo nada a ver com a cultura americana, mas desta vez popularizada pelos atos hediondos de um maníaco com uma máscara do Capitão Kirk, dois anos antes.

Ok… é Sexta-feira 13, mas só percebi isso horas atrás, ao checar meu celular numa noite de insônia. A data me inspirou esse post, que não seria sobre o filme protagonizado pela mãe coruja do Jason, ou a série em si, embora sabia que não poderia fazê-lo sem ao menos citá-lo. Já tem material demais sobre o filme na internet.

Assim, com as honrarias feitas, me concentro no cerne do que é hoje a Sexta-feira 13. O terror, e consequentemente o medo. Enquanto rolava pela cama, percorria em minha memória as obras de terror que mais mexeram comigo (e.g. que mais ferraram comigo) em minha infância. Aquelas experiências com o gênero de terror que ficaram marcadas em minha mente e me deixaram boladão, por pelo menos um bom tempo…

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Zoltan – O Cão Vampiro de Drácula – (Zoltan, Hound of Dracula – 1978)

A época em que cresci, comparada com os dias de hoje, era completamente sem noção. Afinal, aonde hoje você veria um filme desse naipe às 1:30 da tarde, logo após umas boas gargalhadas assistindo Chaves e Chapolim, sem nenhum aviso do tipo “pais, se estiverem na sala, tirem seus filhos da mesma, ou eles vão ficar transtornados por um bom tempo”?! Mas era a SBT, e o lema lá provavelmente era “Em ritmooo, em ritmo de festaaaa”. Cinema em Casa era o programa de filmes mais sem noção que já vi. Além desses filmes de terror, passavam outros para adultos como O Último Americano Virgem

As memórias que tenho de Zoltan, são muito vagas, afinal, só tive colhões pra ver uma vez e, depois disso, ficava me assombrando em comerciais (repetições a exaustão eram a norma da época). Zoltan foi uma forma sagaz de fazer mais um filme de Dobbermans (os Pitbulls da época), sem ficar parecendo “mais um”. Eu até ouso dizer que Zoltan pode ter servido de inspiração para Stephen King e seu Cujo em 1981 (que mais tarde viraria filme), afinal, ambos são cachorros que foram mordidos por um morcego e acabam virando um perigo. Mas é claro que pode ser mera coincidência. Mas se ver um cachorro vampiro pulando de um caixão direto no pescoço de um infeliz não é sua praia, espere até o final para ver os fofinhos vampiros filhotes…

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A Coisa – (The Stuff – 1985)

Mais outro do repertório vespertino do Cinema em Casa. Depois de ver esse filme, tomar sorvete ou iogurte nunca mais foi a mesma coisa. A Coisa entra na categoria “filmes nojentos” a qual faz parte clássicos como Enigma do Outro Mundo (que se chama The Thing em inglês, hmmm) e Fome Animal. A parte em que Charlie Chocolate Chip, consumido pela Coisa, abre sua bocarra podre, ficou marcada na minha memória. O engraçado é que olhando essa mesma cena hoje, ela é meio tosca. Crianças…

O fato é que, apesar de ter seu lado terror dissolvido (sem trocadilhos) ao longo dos anos e ter ficado meio pastelão (ok, dessa vez não resisti…), A Coisa funciona como uma esperta metáfora sobre o marketing de consumismo de produtos alimentícios (me faz lembrar do “Compre Baton, compre Baton”). Seria algo como se    hoje resolvessem filmar “O Ataque dos Ipads Assassinos”, ou algo do tipo.

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Aracnofobia – (Arachnophobia – 1990)

Aranhas… Criaturazinhas de oito pernas tão medonhas que o próprio Homem-Aranha quase não veio a existir, tamanho era o pavor que Martin Goodman, então editor da Marvel Comics, tinha delas.

Logo, não é preciso muito esforço para causar transtornos no espectador quando se tem um vilão dessa estirpe em uma história. No entanto, quando Aracnofobia saiu do forno, apareceu com uma cômica crosta em sua superfície. Sem saber se promoviam a película como suspense ou comédia, acabaram, por via das dúvidas, promovendo-o como ambos. Aracnofobia realmente funciona bem em deixar o público na ponta do sofá até próximo ao final, quando a “aranha-mor” cria personalidade e decide não deixar o personagem de Jeff Daniels escapar com vida da casa.

Hoje, Aracnofobia assusta tanto quanto esse vídeo aqui:

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Raça das Trevas – (Nightbreed – 1990 – Epic Comics/Editora Abril)

Não estou falando do original cinematográfico, mas sim da adaptação para os quadrinhos. Honestamente, eu vi o filme, uma única vez, por acaso em Intercine. O Kinski do filme tem uma maquiagem tão grotesca, que dá pra assustar mesmo. Mas eu acho o resultado nos quadrinhos muito mais satisfatório (e é engraçado que li Raça das Trevas pensando que ficaria irado no cinema, tamanha era a qualidade cinematográfica da HQ, mérito do artista Jim Baikie). A cena em que Boone é executado pela polícia, só para citar uma, é uma de minhas favoritas dos quadrinhos. O filme rendeu uma adaptação para as hq’s de 25 edições, sendo publicada apenas as 10 primeiras no Brasil, mas honestamente, poderia ter parada na quarta edição, onde depois disso, tanta a qualidade do texto quanto da arte, caem.

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O Mistério de Candyman – (Candyman – 1992)

Eu nunca tive coragem de dizer o nome de Candyman 5 vezes em frente ao espelho. E só não faço o tira-teima hoje em dia, por falta de tempo. Fato é que Candyman, com sua história bastante intrigante, continua capaz de causar sustos. O filme, baseado num conto de Clive Barker, ainda em seu auge, trabalha de forma interessante a linha tênue entre as lendas urbanas e os eventos que as inspiram (um resultado muito mais bem sucedido que o razoável Lenda Urbana de 1998). E pensar que consideraram Eddie Murphy para o papel do personagem título.

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Resident Evil – (Capcom – 1996)

Resident Evil foi um dos primeiros jogos de video game a fazer meu queixo cair. Com uma nova geração de consoles no mercado com gráficos 3D e uma nova forma de se jogar games, Resident Evil (o primeiro que joguei era versão japonesa Bio Hazard) era de causar tensão constante. Ao invés de ser apenas um espectador, como nos filmes, aqui, nós fazíamos parte da ação e ditávamos o ritmo dos eventos, em meio á vários sustos.

É uma pena que, com o passar dos anos e seu sucesso agregado, o jogo teve se distanciado de suas raízes, deixando de ser um jogo de horror de sobrevivência para se tornar um jogo de ação – infeliz influência da adaptação cinematográfica. Eu me lembro que, a cada passo que dava pelos corredores da mansão, eu apertava o controle, tenso, à espera de um susto vindo de algum lugar (malditos corvos!). Até o primeiro zumbi do jogo, um momento clássico de toda a série, era capaz de fazer você se borrar nas primeiras jogadas. Hoje em dia, derrubamos brutamontes encapuzados com machados gigantes com a mesma tensão com que abrimos a geladeira. Não que o jogo não seja mais divertido, mas perdeu muito do seu apelo original. Não sei o que esperar do sexto capítulo, mas devo acabar comprando de qualquer forma…

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A autópsia do ET de Roswell – 1995

Pensa um vídeo que me tirou o sono por noites… Eu era muito fascinado por alienígenas quando moleque e, naquela época onde não havia internet como hoje e a tecnologia atual ainda usava fraldas, todo vídeo ou foto de ovnis ou ET’s tinha potencial para ser real. Até o Fantástico prestava. Sempre tinha algo do tipo passando no programa.

O vídeo, em preto e branco e de baixa qualidade se beneficiava desses recursos para criar uma sensação de desconforto, onde até um cirurgião observando a autópsia do lado de fora da sala, era capaz de te dar calafrios com seu ar fantasmagórico. Junte-se a isso, o fato de ser o vídeo de uma AUTÓPSIA, o que por si só já seria suficiente pra causar desconforto no cidadão.

Uma semana depois, o Fantástico voltou a abordar o assunto (tinham que aproveitar o hype), desta vez com uma entrevista com uma dupla de técnicos em efeitos especiais. Os dois desbancaram vários elementos do vídeo, acusando artificialidades aqui e ali. Me lembro que, na época, não sabia se ficava frustrado pelo vídeo ter sido “provado” uma fraude ou se ficava feliz por saber que um ET não iria puxar minha perna pela janela do meu quarto…

O vídeo só seria oficialmente considerado falso em 2006, quando o homem por trás de tudo, Ray Santilli, afirmou que o vídeo era uma encenação, no entanto baseada em partes de um vídeo genuíno que ele teria tido acesso. Ou seja, não fez nada além de apagar o fogo com gasolina.

E você? Qual foi aquele livro, filme, enfim, uma obra de ficção de horror que te tirou o sono por muitas noites quando moleque?

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