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Um jovem, usando  sobretudo, entra no cinema durante a exibição do filme Batman, saca a arma e mata três pessoas.

Três?! Os jornais não noticiaram doze?

Depende sobre  quem você acha que é o enunciado. O parágrafo narra a ação de Arnold Crimp, personagem do Graphic Novel Batman – O Cavaleiro das Trevas  de 1986 escrita e desenhada por Frank Miller. Crimp entra em uma sessão de cinema pornô, inspirada em Batman, e abre fogo contra a plateia, o momento do tiroteio não é mostrado, a noticia é revelada por inferência do jornal (técnica  amplamente utilizada por frank na HQ e posteriormente adaptada para o cinema em Robocop). A graphic mostra um Bruce Wayne mais velho, aposentado da guerra contra o crime, mas ainda lutando contra seus demônios interiores, e conta justamente o processo de retorno do herói às ruas de Gotham.

James Holmes (aquele que você achou que me referi no inicio do post) seguiu o mesmo percurso de Crimp em vários detalhes, quando entrou no cinema e acabou com o Cavaleiro das Trevas Ressurge e a vida de 12 pessoas. Quando vi a noticia logo me veio à mente essa parte da HQ, e obviamente à mente de outros tantos que a leram, então  imaginei que o fato não demoraria a ser explorado pela ótica “Kenedy/Lincoln”. Não deu outra, é só digitar as palavras chaves no google que aparece um numero considerável de sites e blogs fazendo a ligação   conspiratória entre o gibi e o tiroteio no colorado. Claro que pode ser uma genuína coincidência à lá “a vida imita a arte”, como também  é possível que Holmes tenha lido Cavaleiro das Trevas de Frank Miller e  se inspirado em Crimp. Fato é que isso me inspirou a escrever este post e acrescentar mais duas maldições no estilo teoria da conspiração.

                                                                     

As Bizarrices do Super-Homem.

A maldição do Superman é uma urucubaca realmente cabulosa; tudo parece começar com George Reeves, quando em 1950 aceitou o convite para personificar o homem de aço em As Aventuras do Superman, que estreou em 1951. Antes disso Reeves vivia um prolífica carreira cinematográfica (na década anterior ele estrelou 13 filmes). A série durou oito anos e nesse período o colante azul manteve uma relação simbiótica com o ator, dando-lhe fama e dinheiro, mas sugando completamente suas chances de interpretar outros papéis. Deprimido ao ver sua imagem, irremediavelmente, vinculada ao herói, Revees tirou a própria vida com um tiro na cabeça, pelo menos  como diz a versão oficial. Existem ainda teorias paralelas baseadas em discrepâncias encontradas na cena do crime, que advogam pelo assassinato do ator, devido a um caso amoroso que  tivera com a mulher de E.J. Mannix (chefão da MGM), romance este, retratado no filme Hollywoodland com Ben Affleck interpretando Reeves. Ironicamente, nem mesmo na morte Reeves conseguiu se livrar do personagem, pelo menos é o que aduz o epitáfio em sua lápide: “Para meu querido filho, George Bessolo Reeves, o Super-Homem”.

 

                                                                                                                                                           

                                                                                                                                              

O ápice do mau agouro

O apogeu da lenda veio com a quadrilogia:  Superman – O Filme, Superman – A Aventura ContiuaSuperman III e Superman IV – Em Busca da Paz. Nesta versão quase ninguém foi poupado. Os mais jovens primeiro:

Lee Quigley, que interpretou o homem de aço ainda bebê (aquele que levantava a caminhonete na boa), após o filme seus pais se divorciaram e ele foi morar com os avós, se tornou viciado em cola de sapateiro e morreu intoxicado devido ao uso excessivo do produto.

Margot Kidder, a inesquecível (pelo menos pra mim) e eterna (para os produtores de cinema) Lois Lane. Margot ficou carimbada pelo papel da namorada do Super, não conseguindo nenhum trabalho importante depois da película, três anos após a ultima atuação em Superman – Em Busca da Paz, ela sofreu um acidente de carro e, em seguida, foi diagnosticada como maníaca depressiva.

Richard Pryor, o papa do stand-up do anos oitenta, interpretou Gos Gorman em Superman III, de lá pra cá, ou de lá até 2005 (quando faleceu) as coisas não andaram boas pra Pryor. Logo após o filme vieram a tona seus problemas com drogas, tentativa de suicídio e o mergulho no ostracismo. Curiosidade: Richard Mayer do jogo Fatal Fury foi inspirado nele.

E por ultimo e mais importante, o vetor da maldição: o Superman, dessa vez encarnado em Cristopher Revee. Christopher ficou, assim como George, estigmatizado pelo personagem, tanto que uma vez, vendo o filme em que ele fazia o papel do Dr. Alan Chaffee, em A Vila dos Amaldiçoados, pensei: que horas ele vai virar o Superman e acabar com essa bagaça? é esse tipo de ligação subconsciente que o personagem  gera em seus “hospedeiros”. Reeve ficou tetraplégico ao cair de um cavalo e encerrou a carreira no cinema e TV justamente em Smallville: As Aventuras do Super Boy, interpretando o Dr. Swann, que tinha justamente a missão de mostrar a Clark qual era seu papel, e lhe passar o legado do Superman (será que Tom Welling se borrou?).

 

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Mistério Revelado

A teoria esbarra no fato de que outros tantos atores  que interpretaram o personagem continuaram  na boa. Mas para o bom conspirador, fica fácil dar a volta nesse “detalhe”: A maldição começa com Reeves (George) e termina com Reeve (Christopher) é uma maldição composta, não basta ser o Superman é preciso ser o Superman e se chamar Reeve… Eu sei…Não ficou muito bom, mas pelo menos explica porque atores como Geene Hackman continuam vivos e com a carreira para o alto e avante.

                                            

                                                 Os demônios de Bruce Lee

Bruce Lee era um cara tão foda, mas tão foda… que derrotou até Chuck Norris (não foi erro de digitação, você leu: CHUCK NORRIS). Mas até ele, o cara que sobrepujou o lendário Chuck, sucumbiu à morte, e como era de se esperar, uma enxurrada de teorias apócrifas desceram ladeira abaixo explicando o óbito de Lee com reveses cada vez mais exóticos e cujos representantes mais famosos são a tese do assassinato pelas tríades chinesas e o complô entre mestres ocultos inconformados com a exposição dos segredos do wu-shu.  Alem do fato de Bruce ter morrido jovem e em plena forma física, o local da ocorrência foi a casa da atriz Betty Ting (um tanto desconhecida e sobre quem recaia a suspeita de ser amante do ator)que estava sozinha com Bruce, quando ele passou mal; soma-se a isso a cultura das sociedades secretas e conspirações (as verdadeiras) que pairavam sobre os chineses. A causa mortis oficial foi registrada como edema cerebral, causado por um analgésico usado para amenizar dores de cabeça que o ator sentiu, ainda na casa de Ting enquanto estavam sozinhos. Bruce sofrera outros episódios de cefaleia antes daquele que culminaria com sua morte. Tempos depois seu  filho Brandon morreu durante as filmagens de o Corvo, ferido mortalmente por uma arma que deveria estar carregada com capsulas de festim. A explicação oficial para o acidente é digna das defesas rocambolescas em processos judiciais brasileiros.

Agora vem  a melhor parte:  após a morte de Bruce e pouco depois do acidente de Brandon, foi lançado o filme Dragão – A  história de Bruce Lee,  baseado na biografia Bruce Lee: The Man Only I Knew (algo como: Bruce Lee – O Homem que Só Eu Conheci) de Linda Lee Cadwell (esposa do Bruce). O filme conta a trajetória e os bastidores da vida do ator marcial, mas também revela uma peculiaridade: Lee era perseguido por um demônio com armadura medieval, que seria uma maldição herdada pelos homens da família, o que explicaria  porque a mãe do lutador o batizou com o  nome feminino Sai-Fon (pequena fênix… Você teria coragem de zuar o cara?). O encontro de Bruce com  a personificação da maldição parece advir de lapsos de consciência durante os ataques de cefaleia. Bruce, durante tais ataques, é  jogado em uma dimensão mental,  paralela a realidade, e invariavelmente toma uma surra da criatura. O confronto final entre ambos começa na sala de espelhos no decorrer das filmagens de Operação Dragão (nesse filme, Lee teve a ultima crise forte de dores de cabeça antes de morrer, tal crise foi tão intensa que o ator sofreu convulsões). O demônio aparece  refletido no jogo de espelhos do cenário e salta sobre o ator, levando-o para o que parece ser um antigo cemitério chinês. A armadura esfrega as fuças de Lee no próprio tumulo e só para ao perceber a presença de Brandon. Ao vê-lo indo em direção ao filho, Bruce entra em desespero e vai com tudo pra cima do demônio, mas segue tomando porrada, até ser surpreendido por um nunchaco, “que salva a pátria”, pousado convenientemente na boca de uma estatua, daí  em seguida Jason Scott Lee (que interpreta o ator) dá uma exibição muito da capenga com a arma (Bruce deve ter se revirado no tumulo mediante tal performance). O nunchaco inverte a situação e Bruce acaba vencendo “seus demônios”. Este é o desfecho  mostrado no filme. É fácil, para o bom conspirador, imaginar que enquanto convulsionava no set de filmagem, Bruce estava, na verdade, naquela dimensão mental enfrentando seu algoz pela penúltima vez, e pelo que sabemos da morte de Bruce e Brandon, na “vida real” foi a maldição quem levou a melhor.

Assim este post mostra duas coisas:

1º- A vida está cheia de estranhas coincidências.

2º-  Pra se fazer uma boa teoria conspiratória é imprescindível forçar a barra… e muito.

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