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Passeando pelos canais de TV após assitir a um ótimo episódio de The Mentalist, me deparo, na programação, com um documentário com um título bastante chamativo (para meu gosto), “When Aliens Attack”.

Como diz o sugestivo título, trata-se de um documentário emulando o que aconteceria se a Terra fosse de fato atacada por seres de outro mundo. Com cerca de duas horas de duração, o programa começa narrando o ataque de forma bem realista, insinuando o que eu sempre pensei (e acredito, muitas outras pessoas também) que, ao contrário do que Hollywood sempre tenta nos mostrar, nós humanos iriamos sucumbir sem chances perante tal invasão.

O programa leva o assunto a sério e é respaldado pela contribuição de vários cientistas e especialistas no assunto, alguns deles, não diretamente ligados ao tópico, mas que possuem pesquisas que podem ser relacionadas, como Mark Moffett autor de Adventures Among Ants (Aventuras entre Formigas), que usa o resultados de seus estudos do universo formigueiro para traçar analogias tanto em relação aos humanos quanto aos invasores alienígenas, e o peculiar autor de FC, John Ringo, que colabora com insights sobre técnicas de sobrevivência e táticas militares, entre outros autores e especialistas, de colaboração tão interessante quanto.

No entanto, o colaborador principal é o físico Travis Taylor, autor de Alien Invasion – How to Defend the Earth. Taylor participou de projetos de defesa militar, como o Canhão Elétrico, e afirma que um invasão alienígena é um assunto levado a sério por várias nações como EUA e Reino Unido, para citar algumas, e que até mesmo existem planos de defesa para caso algo considerado tão improvável quanto isso venha acontecer. De fato, prevenir é melhor que remediar.

O programa começa narrando o evento horas antes das forças alienígenas estabelecerem contato. A aproximação extraterrena, considerando que seja detectável, seria inicialmente considerada um dos zilhões de asteróides que passam o tempo todo próximo à Terra. No entanto atrairia mais atenção conforme fosse constatado que tal objeto não seguia a trajetória convencional de um asteróide, e a situação ficaria mais alarmante ao perceberem que o objeto simplesmente ficara estacionário.

Ao ficar evidente que se trata de uma presença alienígena inteligente, a primeira ação das nações cientes de tal situação seria estabelecer contato e descobrir a que vieram. Físicos como Stephen Hawkins, acreditam que espécies alienígenas que chegarem a tal ponto evolutívo, seriam hostís, afinal a única razão lógica para se aventurarem pelo espaço seria por razões colonizadoras. No entanto, outros, como o autor de ficção científica Arthur C. Clarke, crêem que seria o contrário, pois seres de milhões de anos de evolução com certeza já teriam acertados questões sociais e religiosas e tenderiam a serem pacíficos. Eu, honestamente, dou razão aos dois cenários, pois tal raça poderia chegar a um alto padrão evolutivo e tecnológico e, aceitando que possua um líder ou administrador, sua intenção dependerá muito da mentalidade deste indivíduo, assim como tivemos Ghandi, Sadam Husseim e, num meio termo, Nelson Mandela.

A ONU se mobiliza tentando entrar em contato com os alienígenas, em várias línguas, mas não obtem resposta. Nesse cenário, tenta-se estabelecer contato usando números-primos, uma vez que a matemática é uma linguagem universal (será?). Tal tentativa de contato seria considerada hostil por parte dos alienígenas, ou independentemente disso, as ações por parte deles que viriam a seguir, já estavam traçadas.

Na visão do documentário, os alienígenas orbitariam a Terra numa espécie de Estrela da Morte de Star Wars e esta, por sua vez, lançaria naves-mães sobre várias das cidades mais importantes do planeta (algo que remete a Indepence Day e District 9). Esta por sua vez, liberaria espaçonaves e robôs terrestres que começariam a varrer a superfície dessas cidades, concentrando-se em pontos chaves como pólos industrais – cita-se o exemplo das bombas de Hiroshima e Nagasaki, cujo motivo de serem alvos foi o de serem parte essencial da máquina armamentista japonesa. Um pulso eletromagnético também seria liberado, cortando toda comunicação no planeta.

O programa usa o simples fato da viagem intergalática dos invasores para dar apoio ao fato da tecnologia deles ser infinitamente superior à nossa. Segundo Taylor e o ex-ministro da Defesa do Reino Unido Nick Pope, várias nações possuem projetos altamente secretos de armamentos, projetos que, apesar de afirmarem a existência, obviamente eles não entram em detalhes. Seria a hora de usarem tais armamentos, mas na visão dos especialistas, tal investida mal seria notada.

O passo seguinte, seria o imaginado por Alan Moore e expressado por Ronald Reagan em uma conferência da ONU, quando ainda era presidente dos EUA, onde em face de uma invasão alienígena, todas as nações iriam pôr suas diferenças de lado e se unirem contra o inimigo comum (ou iria o “eixo do mal”, inicialmente, tentar se unir aos alienígenas?). Seja o que for, como era de se esperar, tal iniciativa também se prova infrutífera.

Segundo Taylor, a investida alienígena duraria questão de horas, no máximo uns dois dias. Confesso que nesse instante, um leve sorriso cravou-se num dos cantos da minha boca, pois até então a visão dos especialistas estava batendo palavra por palavra com a invasão alienígena que imaginei para uma história que venho trabalhando há mais de dez anos, onde nós simplesmente perdemos (na verdade, a história em si, se passa anos após a invasão, mostrando a civilização tentando se erguer, numa condição semi-medieval).

A última carta na manga, segundo o programa, seria o uso de armas nucleares. Ao presidente dos EUA, protegido em um bunker, pesaria o preço da decisão sobre a vida de milhões de civis, somado ao fato de que nada garantiria que os explosivos teriam sucesso. O programa cita as várias ogivas existentes no planeta que, juntas, seriam capazes de varrerem a superfície da Terra duas vezes.

Na ideologia de que quem não arrisca não petisca, o presidente ativa uma das bombas, endereçada à nave-mãe sobre a capital do país. Independente de sinais de comunicação, as bombas são auto-guiadas e avançam sem impedimento até o alvo. Uma grande explosão ocorre, praticamente incinerando tudo num raio de vários quilômetros. Ou quase tudo… Quando a fumaça se disperça, encontra-se a nave-mãe ainda imponente e imaculada sobre os escombros da cidade de Washington.

Segundo Taylor, mais uma vez se referenciando a viagem intergalática, tal façanha exigiria grande proteção por parte dos invasores. O espaço é extremamente inóspito, e uma colisão com meteorítos é algo muito provável e tal evento ocorrendo, o impacto seria várias vezes maior que o de uma bomba nuclear. Isso supondo-se que os alienígenas viagem de distâncias imensuráveis de forma “convencional”. Na verdade, o show é cheio de suposições. Sei que é impossível ser feito de outra forma e, em alguns cenários, se explora até mais de uma possibilidade. Mas a partir daqui, acho que ele começa a se tornar meio tendencioso, se é que me entende…

De fato, concordo com o programa em todos os sentidos que jamais nos daríamos por vencido. Mas as interpretações disso, são inúmeras. Na verdade, várias dessas interpretações podem ocorrer ao mesmo tempo como insurreição rebelde, pessoas tentando se adaptar ou aceitar a situação, outras tentando se aproveitar da situação, enfim, cenários que já vimos em muitas obras de ficção científica pós-apócaliptica.

Mas aqui, o show começa a tomar ares de roteiro cinematográfico (queimando minha língua), e decide que a população sobrevivente da Terra se uniria numa investida rebelde. Ainda assim, o show segue interessante e usa vários exemplos de guerras como a do Afeganistão para ilustrar a capacidade do que eles chamam low-tech warfare. O programa, na verdade, mostra o que é necessário para se sobreviver ante tal situação, sempre tirando exemplos de acontecimentos reais, como a resposta de ajuda de catástrofes como o furacão Katrina e o tsunami no Oceano Índico com a diferença que, neste caso, a ajuda não viria. Essencial também para essa unidade mundial rebelde, é a suposição de que várias torres de comunicação e linhas telegráficas tenham permanecido intactas.

Ao mesmo tempo, o documentário começa a deliberar as razões para uma invasão alienígena, e após descartarem a busca por substâncias como a água, encontrada em abundância em outros planetas muito provavelmente inabitados por vida inteligente, eles crêem que o mais provável seriam substâncias mais raras de se encontrar no universo como proteínas e clorofila (bem diferente da que imaginei  pra minha história). Nesse cenário, considerando que a humanidade venha a ter conhecimento sobre isso, o levante rebelde de fato é a saída mais viável. É isso ou encarar a extinção. E é curioso que, admitindo essa possibilidade, o programa sugere que várias noções sociais sejam ignoradas onde, qualquer mulher capaz de gerar um bebê se dedique a tal, e qualquer um capaz de portar uma arma, faça o mesmo.

Assim os rebeldes fariam uso de low-tech warfare para infrigir pequenas vitórias contra o opontente. Isso também levaria os rebeldes a ter acesso a tecnologia extraterrena, não que, pra mim, isso vá fazer alguma diferença, afinal muito provavelmente seria uma hieróglifo nas mãos dos rebeldes e, até achar sua Pedra de Rosetta, pode ser tarde demais.

O programa começa a discorrer sobre formas de vencer o inimigo. É aqui que a única obra de ficção científica é citada durante todo o documentário. Acertou quem pensou em A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells. Na obra do autor britânico, os alienígenas caem ante contato com bactérias existentes em nossa atmosfera. Mas é interessante que aqui, os especialistas acreditam que é mais provável que os invasores é quem nos infectam com novas doenças do que o contrário, usando como exemplo os milhares de índios das Américas que caíram vítimas de doenças trazidas pelos europeus como catapora. Nesta deixa eles também chegam a conclusão que alienígenas podem enviar missões de colonização sem a presença de um único ser vivo. Ao mesmo tempo também cogitam que extraterrestres invadiriam nosso planeta com uma limitada armada. Assim, cada veículo, robô, o que quer que fosse destruído, não seria substituído.

Taylor diz que criara um programa que simulava uma invasão alienígena e nossa consequente defesa/contra-ataque e todas as vezes que rodava a simulação, sempre alterando nossa forma de reação, nós terminávamos derrotados. Mas a partir do momento em que mudava a tática de ataque para contínuos ataques em pequena escala, o quadro mudava, finalmente apontando uma vitória humana.

No fim, o programa chega com a ridícula sugestão de que o ataque mais eficiente para fragilizar as forças alienígenas, seria um ataque no melhor estilo UP! Nas Alturas!! Sim, eu ri também. Segundo Taylor, seria um ataque suicída e coordenado, onde através de rádio, os vários focos da resistência rebelde atacariam as várias naves-mães que pairavam sobre as ruínas das grandes cidades do mundo. Vários “comandos” iriam portar explosivos e se atarem a uma quantidade suficiente de balões para alçá-los de encontro as naves, num ataque super fofo! Assim eles poderiam enganar os sistemas de detecção alienígena e adentrarem as espaçonaves e atingirem seus pontos vitais.

E esse seria o fim da mal-fadada invasão extraterrena. O mais impressionante é que na cronologia, a invasão seria superada em cerca de um ano!! Mas tirando esse final horrendo e improvável, o documentário em si entretem bastante e vale a pena ser conferido e, se for parar pra pensar, no geral funciona melhor que filmes como Battleship: Batalha dos Mares e Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles. Sei que parece ingenuidade minha achar que o documentário iria acabar com a humanidade sendo obliterada, como disse no início, mas acho que faltou colhão por parte dos produtores. A verdade – a derrota da humanidade – dói, mas deve ser dita.

Como não ficou claro qual era a origem do documentário ao final (devo ter piscado), fui à internet futucar e fiquei de cara por descobrir que era uma produção do National Geographic (tinha cara de History Channel). Nessa mesma busca descobri que o Discovery Channel também produziu um show bem semelhante, neste caso contando com o físico teórico Michio Kaku (o qual o nobre Louis, que também colabora neste blog, é super fã!). Confira este vídeo (em inglês):

Não pensem que sou negativo e só quero ver a Terra se ferrar perante o poderio alienígena, mas espero que esse programa da Discovery tenha um final mais realista, pois é fato na natureza que todo predador tem seu dia de presa.

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