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“Revolução humana, a formula que funciona”.

 Deus Ex: Human Revolution

Olá meus caros do Gamo Branco.

Bom, a priori devem estar pensando: “opa, novo escritor para o GB, FINALMENTE ATUALIZOU… mas cadê o resto?”

Calma galera, enquanto Pintopix esta atarefado, construindo e produzindo sua HQ, ele me pediu para esse que vos escreve, que assumisse o posto por enquanto, logo, serei um macaco gordo para a situação e quebrarei um galho, espero que gostem.

Nesse momento esta na hora de pegarem uma boa xícara de café, ou um suco, ou um chá, ou qualquer outra coisa que gostem de beber… pois aqui nesse post vamos falar um pouco de ficção.

Pouco tempo atrás estava eu estudando e bastante enrolado com alguns trabalhos para a faculdade, mas como todo bom samaritano, chega uma hora em que ficamos “cansados disso tudo” e fazemos aquilo que gostamos e que nos diverte, então lá fui eu ligar meu Ps3 para conferir se tinha algo de novo na PSN plus.

Ao abrir a Playstore me deparei com “Deus EX: Human Revolution” como FreeDownload para os assinantes, jogo em que já tinha ouvido falar em 2011 – inclusive muito bem – mas nunca havia experimentado, pois não vou negar que tenho certa resistência a jogos em 1º pessoa ou FPS (First Person Shoter) – que na verdade quer dizer a mesma coisa, mas existem pessoas que gostam de falar em inglês, aqui eu deixo as duas opções.

Como estava ali dando sopa, fiquei tentado a joga-lo pelo menos para ver se me adaptava ao estilo. Resistências a parte, fui contra a minha tolerância e embarquei nessa aventura e espero que vocês, leitores (as) do Gamo Branco tenha a mesma oportunidade de jogar essa boa produção da Eidos Montreal juntamente com a Square – que por sinal tem acertado em cheio  ultimamente, com títulos como Sleeping Dogs, Batman e Tomb Raider… menos nos Final Fantasy’s que foram um fiasco, mas isso não vem ao caso.

Primeiro vamos abrir com uma sinopse inicial e uma análise leve sem estragar a trama futura.

Escrito por Mary DeMarle (história), Annakin Slayd (diálogos) e James Swallow, dirigido por Jean-François e Kody Sabourin, Deus EX: Human Revolution se ambienta em 2077, aonde o mundo aparenta estar com uma superestrutura desenvolvida e com avanços tecnológicos realmente integrados a vida humana muito mais do que o próprio costume humano (uma ideia avante àquilo que vivemos no contemporâneo), doravante, a infraestrutura aparenta ser bem peculiar não acompanhando esse avanço que engole a subjetividade humana, e isso vai ficando mais evidente a medida em que o jogo vai avançando. A ideia geral tem uma temática que faz referências ao discurso de Albert Einsten de quando o questionaram sobre suas ideias (conceito, teoria, etc.) sobre a “lei da compensação” terem sido usadas para criar bombas atômicas, após um erro de informações (ou manipulação de informações) o mesmo disse: “Terrivelmente, aparenta estar claro que a nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade” (Tradução nossa).

A história tem uma estrutura muito boa e sólida, dando uma ambientação entre intrigas, teorias da conspiração, jogos de palavras, embates filosóficos e conceitos sobre até onde a raça humana pode chegar.

Diferentemente daquilo que estamos acostumados a ver em “reviews” de jogos, vamos entrar em um aspectos diferentes nessa análise, focando a estrutura dos conceitos e entre as várias correntes filosóficas dentre quais eu pude notar. Pode deixar que fiquei atento para não cometer “spoilers” e estragar o suspense carregado de intrigas e reviravoltas que caracterizam e dão vida ao jogo.

 

A fórmula.

Deus Ex: Human Revolution

A sociedade se tornou uma dependente quase que total da tecnologia, e isso de fato as tornam escravas da superestruturação e reprodutores dos efeitos de verdades que os discursos das grandes companhias e monopolizadoras de mercado. Aqueles que estão fora da normalidade são considerados os diferentes/excluídos, ou seja, o normal é conviver com aquilo que é estabelecido por um seleto grupo social que carregam a verdade pela sua relação de poder (não posso dar exemplos no jogo, senão será spoiler).

As corporações tomaram conta do controle social e financeiro, fixadas nas ideias de Luis Althusser a respeito dos “Aparelhos Ideológicos do Estado” (livro de mesmo nome que a teoria, publicado no Brasil em 1998), que nada mais e nada menos são as ferramentas de controles de massa (ideológicos) que convém a uma pequena parcela da alta hierarquia (ou estado) aliadas a uma análise crítica/Marxista da superestrutura e infraestrutura da sociedade, que é solidificada a um conceito neo-capitalista (onde as corporações tem total controle sobre os governos) – aliás, essa análise sempre é muito rica e compensadora para por em cheque questões de desigualdades e diferenças – a grande maioria sofrem e são descartáveis, apenas alguns sobrevivem e através dessa custa humana, outros gozam a vida.

Tudo isso se mistura a uma pitada de Platão, mais precisamente sobre a “Alegoria da Caverna” do livro VII de “A República” que sempre é um prato cheio para enriquecer uma história bem arquitetada. A noção de ilusão e de sentidos que enganam sempre são ótimos conteúdos a serem explorados numa trama e mantem o thriller com uma expectativa alta.

E falando de sentidos que enganam, se uma coisa me engana uma vez, pode me enganar outra vez, ou seja, quando me engano, penso, então existo, para alguma coisa ser enganada tem que existir.

E a respeito dessa ideia cartesiana, em “Princípios de Filosofia” de Renne Descartes publicado em 1971, é um alvo fácil quando se falam em obras de ficção científica e ainda mais quando se falam em verdades. O conceito usado se caracteriza como pelo critério para que uma coisa seja verdade é se ela tem clareza e distinção, com o objetivo de chegar a um pensamento verdadeiro (através da ciência), sendo assim Michel Foucault em “A Ordem do Discurso” publicado em 1970, praticamente como uma antítese a essa ideia cartesiana de Descartes (a respeito das verdades), levanta a arbitrariedade da verdade que os discursos carregam, ou seja, o discurso em si nada mais é do que um produtor de efeitos de verdades.

Então fiquem atentos as inúmeras verdades durante a jogatina, pois a incógnita que é posta a prova nessa história é: “O que é a verdade?”

Ao decorrer, podemos conferir claramente os tipos de dominações propostas por Max Weber em “Ensaios de Sociologia” de 1981, que descreve a teoria dos três tipos que condicionam um sujeito a uma ordem, a dominação legal, Tradicional e Carismática. Aquilo que Jensen esta metido é perigoso, pois o seu maior inimigo são os argumentos e discursos de pessoas ao seu redor.

Alguns sistemas de conversas do jogo são pré-determinados, porém outros podem ser modificados levando a resultados diferentes, mas o mais interessante é comprar o melhoramento de análise de falas, isso vai fazer com que Adam faça leituras dos conteúdos falados, percebendo e distinguindo suas reações e comportamentos, que são abreviados num conceito geral psicológico entre Omega, Beta e Alpha (aparenta ser Mentira/Manipulação, escondendo algo/incerteza e verdade/sinceridade) parece meio complexo, mas é um divã disfarçado.

 

Ambiente

Deus Ex: Human Revolution

No quesito ficção, não há como não citar o mestre de todas as obras desse tema, Philip K. Dick e em “Do Androids Dream of Eletric Sheep?” ou vulgarmente chamado de “Blade Runner – O Caçador de Androides” de 1966 que virou filme em 1982, há vários elementos puxados que dão vida ao jogo (assim como quase todos os filmes de ficção da atualidade) fazendo referencias, o que não é ruim se o dever de casa for bem feito… e fizeram direito, touchdown!!!

De fato, a pobreza ainda existe no futuro (mas é lógico), assim como em Blade Runner, DeusEXHR se carrega com as desigualdades sociais, observa-se que há muitos centros desenvolvidos e locais muito pobres (pessoas vivendo nos esgotos ou nas ruas, por exemplo) e isso se mistura trazendo uma atmosfera de avanço com decadência.

Como sempre há aqueles que querem ganhar dinheiro sem respeitar as regras impostas (o que fazem deles vilões?!), ou não observam o valor humano, ou são maus mesmo, ou qualquer outra teoria que justifiquem os seus meios e fins.

Jensen é posto a prova em vários momentos de consideração de Justiça (colocando um fim as situações de forma que beneficia o que esta mais apoiado na lei, estabelecendo uma finalidade; não significa ser bom para a maioria), de bondade (ultrapassando a justiça, desconsiderando e desapegando do eu mesmo, observando os pingos no “i” de cada caso e favorecendo ao próximo), atendendo a razão (agir de acordo com aquilo que seja mais racional, se importando com seus princípios e ética) e respondendo à sua missão (sendo profissional ao extremo, não relevando as situações e sendo o perfeito soldado).

A construção da trama vai considerando todos esses aspectos peculiares que não deixei passar em branco e que me chamaram a atenção…

 

O Início…

Deus Ex: Human Revolution

Entramos na pele de Adam Jensen (Elias Toufexis – a voz de Federico Auditore na série de Assassins Creed), um chefe de segurança patrimonial e pessoal, de uma empresa chamada Sarif que desenvolve projetos de biomecânica, especializados em estudos humanos, chamados de “augmentations” (substantivo: incremento, aumento ou acréscimo) termo que escutará muito ao decorrer de sua aventura. Adam é uma pessoa bastante misteriosa, enigmática e o seu passado é uma interrogação aos curiosos, mediante as dúvidas, afrente vamos saber que estamos lidando com uma pessoa preparada para a situação e adequada para o cargo, porém com um faro investigativo, de dúvidas e pensante.

Com gráficos muito bem elaborados, o jogo mostra-se promissor logo a primeira instância, conforme é encaminhado ao primeiro dialogo de Adam com a Dra. Megan Reed (vivida por Michelle Boback, esposa de Elias Toufexis – trabalhou em Splinter Cell Conviction) iniciam-se amostragens e experiências que a biotecnologia tem criado ao longo dos anos. Ambos caminham ao redor do centro de pesquisas e laboratórios, onde pode-se ver claramente alguns brinquedinhos em desenvolvimento que o nosso herói (ou não) poderá incrementar futuramente. Adam aparenta ter uma quedinha por Megan… convenhamos, há de haver um romance, para dar um impulso a mais para o suspense que Jensen vai viver.

O desencadear do início da trama se da após um “ataque terrorista” à Sarif, onde Adam tenta desesperadamente conter, mas seus esforços são em vão, ao tentar salvar seu amor platônico acaba quase morto e destruído por um maldito mercenário com um sotaque russo e sua turma do barulho cheia de implantes biomecânicos.

Com ênfase ao estilo Robocop, Adam se transforma num “cara da pesada”, cheio de implantes biociberneticos e “augumentations” espalhadas pelo corpo (nem o pulmão escapou de ser mexido; minha opinião é que ele chegou até a mesa de cirurgia cotó, faltando tudo), e assim nasce a maquina perfeita de combate para destruir e aniquilar tudo e todos E DOMINAR O MUNDO!!!… não pessoal, não é assim… o jogo tem uma pegada mais para o estilo furtivo (Stealth), não vão achando que Adam é o robocop e tem uma bazooka infinita nas costas.

Utilizando de uma interface mais Role Playing Game do que de FPS, Deus EX: Human Revolution tem uma jogabilidade parecida com “Vampire: The Mascarade Bloodlines” (lançado em 2004), com side quests que complementam as histórias e tramas, sempre com nexo e razão. Os diálogos apontam sempre o lado humano de Adam, porém é de sua escolha ser o cara bom ou o vilão da história, então… você decide.

A trilha sonora do jogo é de autoria do sr. Michael McCann, e sinceramente fazia tempo que eu não ouvia algo tecno-erudito-suave soar tão bem em um filme ou jogo (hoje em dias os jogos estão melhores que os filmes). Honestamente parecia que eu estava no universo de Tron (aos fãs de plantão, acho que irão se sentir em casa) e isso trouxe mais complemento a história, deixando o jogador entrar no “clima” da situação com a dose certa de emoção.

 

Veredito final!

No veredito, Deus EX: Human Revolution não é uma obra-prima e nem uma revolução nos jogos, não espere que seja um FPS “Reto” ou um Metal Gear, o jogo tem um pouco de tudo e da uma importância imensa a história e a complexibilidade dos fatos e faz com que o jogador pense a respeito das respostas e os fazem ler aquilo que vai determinar os seus passos durante a construção do que vai vir-a-ser, mas isso não vem a afetar seu desempenho na história, apenas pode tornar as coisas mais difíceis (ou não).

O sistema de evolução é bem distribuído e me fez pensar muito naquilo que eu iria adquirir primeiro para sanar as minhas necessidades ao decorrer do jogo. Ele segue o sistema de “árvores” onde o jogador pode gastar pontos para adquirir/melhorar algumas habilidades específicas.

Para quem não jogou e estava procurando um bom jogo de Sy-Fy com uma ótima história digna dos grandes livros e filmes, é a pedida certa e garante horas de diversão e desafios além de espancar, atirar, matar ou hack&slash.

No mais, aqui me despeço e espero que tenham gostado dessa análise e não deixem de comentar, criticar ou elogiar… isso vai me ajudar a sempre melhorar.

Obs: Se gostarem, volto com uma análise de um jogo que estou “debulhando” no momento, que honestamente, tenho que achar fôlego para falar e seria ótimo Pintopix participar dessa review de uma obra prima chamada: THE LAST OF US.

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