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Les Revenants

Je non parle frances.

Acho que fui claro (ou não) o bastante com minha negativa. Ainda assim eu percorri  todos os 50 minutos de projeção do primeiro episódio da série francesa Les Revenants. Sem entender um “a” em francês. Aqui, no entanto, não fui claro se foi por minha teimosia ou pela qualidade do seriado. Talvez os dois, mas é certo a qualidade narrativa, temática e plástica de Les Revenants.

Na verdade, tomei conhecimento desta série através de outra novidade (até então) para mim – In the Flesh, o (excelente) seriado britânico de mortos-vivos. Walking Dead é muito bom, mas é uma pena que a maioria dos espectadores se refiram apenas ao show da AMC, ainda mais porque são seriados que, embora abordam a mesma temática, são completamente diferentes. Especialmente Les Revenants.

A história se passa em uma cidadezinha do interior francês – o clime é bem Twin Peaks – onde pessoas que haviam morrido simplesmente retornam à vida. Mas nada de defuntos levantando da cova ou rastejando com suas roupas sujas de sangues e pedaços de carne balançando pelo corpo. Os retornados – tradução literal do título – são tão saudáveis quanto eu ou você.

Uma das cenas mais bacanas do primeiro episódio

A pegada é que as pessoas voltam como elas morreram, e muitos dos personagens retornados faleceram há muitos anos, como o caso de Simon que suicidara 10 anos antes dos eventos mostrados no seriado. Ou Camille, que dá o título ao primeiro episódio, que morrera em um acidente de ônibus aos quinze anos de idade e retorna ao mundo os vivos para encontrar sua irmã gêmea Léna, agora quatro anos mais velha. Tem até o menininho medonho, aqui chamado de Victor, carteirinha carimbada em muitas obras de terror.

Victor aliás, parece ser uma peça fundamental da trama, afinal enquanto há a impressão de todos esses eventos de retornados acontecem no presente da trama, é por causa dele que o ônibus em que Camille se encontrava sofre o acidente, com o motorista tentando evitar atropelá-lo, parado feito um bocó no meio da pista. Como todo menininho medonho em muitas obras de terror.

A ideia é muito bem sacada – na verdade o seriado é um remake pra TV de um filme de mesmo nome de 2004 – e enquanto WD trabalha o drama e adaptação dos vivos em meio aos mortos, Les Revenants faz o oposto, tratando do drama e adaptação dos mortos em meio aos vivos. E o potencial deste revés parece ser muito mais interessante. Simon, por exemplo, não se lembra dos eventos que o levaram a cometer suicídio – teria ele cometido suicídio e caso tenha, o que o levara àquilo, pois até sua então noiva, Adele, fora pega de surpresa. E as gêmeas Camille e Léna, antes extremamente unidas, agora separadas por um abismo de quatro anos, em todos os aspectos. Até um assassino serial retorna – e retorna tirando o atraso, e sua primeira vítima… também retorna!

Menininho Medonho

Minha experiência assistindo este seriado em francês, sozinho, sem a ajuda de ninguém, foi bastante interessante, afinal como não entendia nada além dos “Oui’s” eu me concentrei 100% no visual e acabei entendendo quase tudo só pela atuação do elenco e a narrativa visual, sem mais distrações. Claro que depois fui checar a sinopse do primeiro episódio só para preencher os buracos.

Pode-se encontrar os episódios no youtube sem legendas (dá pra achar um ou outro com legenda em espanhol ou inglês, mas sem continuidade) e de bônus se divertir com internautas de língua inglesa reclamando nos comentários a respeito disso.

A segunda temporada de Les Revenants deve ficar pronta no ano que vem e, enquanto no Reino Unido o show original é transmitido com legendas, nos Estados Unidos, que gostam de fazer as coisas do jeito deles – tipo no Japão, antes que alguém fale abobrinhas – já estão negociando o remake da série made in US.

Se você se amarra em mortos-vivos, sem ser um necrófago, não deixe de conferir esse excelente seriado “farrancê” – e de lambuja, In the Flesh também.

Trailer da Primeira Temporada

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